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Como o limite entre a sanidade e a loucura é rompido?


Qual o exato momento em que se rompe a configuração da mente?

Em que ponto o eu é quebrado?

Para quem essas perguntas fizer sentido, inegavelmente, as respostas serão produto indivualizado, mas é interessante pensar nisso.

Conta-se que Nietzsche, já acometido por repercussões neurológicas da sífilis, ao presenciar um cavalo sendo brutalmente violentado, entrou em desespero, repreendeu o monstro, abraçou o animal, chorou e entrou num estado de silêncio, isolamento e perda das habilidades sociais.

Algo se rompeu naquele momento.

[Ajoelhar-se diante do algoz e pedir por uma migalha e entregar-se por inteiro ao vazio nominável: a perda da dignidade + o colapso do amor por si = morte em vida]

Certas esferas, quando quebradas, jamais serão consertadas, não há discurso, intervenção, medicamento ou seja lá o que for que possa ser indicado como solução.

O que fazer?

Bem, vícios podem surgir como tentativa de preencher a ferida, mas também sementes podem ser postas ali, na esperança de germinar um novo a partir da dor.

Recordo que na infância uma professora do fundamental nos passou a leitura de um livro chamado "Crescer é perigoso".

De fato...

Guimarães Rosa diz que viver é um rasgar-se e remendar-se. E, nisso, sabe-se que ao rasgar algo e remendar, a forma anterior passa a ser inexistente em si, o remendo, por melhor que seja, jamais preencherá certos vazios.

Então, crescer talvez seja acumular vazios, que justamente podem ser eles que nos fazem ser quem somos.

Uma pena (?)

4.11.2024

César Porpino

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